Pedro Henrique, ou MC Oldi, como é
conhecido, foi entrevistado pelo DCE pra falar um pouco sobre a cultura hip hop
e seu crescimento em Juiz de Fora nos últimos anos. Oldi, além de ser MC, é um
produtor de eventos que propagam o estilo pela cidade.
Oldi, explica
primeiramente pra gente: o que é o hip hop? Qual a diferença entre ele e o rap?
O rap, na verdade, está dentro do
hip hop. O hip hop é uma cultura, que foi criada nos EUA, nos guetos do
Brooklin, do Bronx, que é baseada em 4 elementos: o DJ, que fica no
instrumental e em toda a produção; o MC, que canta a música rap, que faz os
versos, que batalha; o break, que é o dançarino, dentro do break está o street
dance, o hip hop dance, o pop, etc; e o grafite, que é a parte do desenho do
hip hop, que expressa através de traços. Essa é a cultura, as vezes as pessoas
confundem, falam “música hip hop”, e a música é o rap, o rap é a voz do hip
hop, assim como o grafite é o desenho, o break é a dança, então é um estilo, é
realmente uma cultura, é um aglomerado de elementos que se complementam entre
si. Nenhum esconde o outro, todos estão juntos no mesmo lugar, ou pelo menos esse
é o ideal.
Como e quando foi seu primeiro contato com o estilo hip hop e com o próprio
rap?
Meu primeiro contato com o hip
hop foi através do rap, através da música, que tocava muito nas rádios, o rap
internacional principalmente, que é um pouco mais comercial do que o que se faz
aqui no país. E eu comecei a ouvir, comecei a me identificar com a batida, com
a levada, e eu já tinha um trabalho com poemas, isso com 12, 13 anos de idade,
eu gostava muito de escrever. Aí, tive esse primeiro contato com o rap e
comecei a escrever uns poemas rimados, até chegar no rap. Peguei uma base,
comecei a escrever em cima dela e fiz minha primeira música.
Por que você gostou tanto do rap e por que decidiu fazer dele não só um
lazer, mas um modo de vida, uma profissão?
Eu me identifiquei muito com o
rap porque ele dá uma voz pras pessoas que querem falar, e você não precisa de
tanta técnica, você precisa mais de disposição, de inspiração. É óbvio que tem
seu lado técnico, mas ele te permite fazer seu protesto, se você tem algo a
falar ele é seu instrumento. Eu lembro que quando fazia meus primeiros raps, eu
tinha 13 anos, fiz um pra minha mãe, cantei numa apresentação de igreja que
tinha mais de 100 pessoas. Quando eu vi a reação das pessoas com o que eu tinha
falado, com o que eu tinha tentado transmitir – uma reação muito positiva – eu falei
“’pô’, é disso que eu gosto mesmo, o palco é minha casa e vou tentar continuar
com esse trabalho”. Depois de fazer o rap assim por anos, comecei a fazer todo
sábado numa loja de artigos de hip hop, aí fui crescendo com a cultura, fazendo
meus primeiros contatos, até que, no final do ano passado (2010), eu parei e
pensei “poxa, tem 4 anos que eu ‘tô’ fazendo rap, mas como que na verdade eu
contribuí pra música? Eu só estou aqui, rimando nos eventos quando me chamam, é
uma coisa muito fácil você ficar esperando o evento acontecer”. Aí começou o
lado da produção.
Eu parei e pensei: “Poxa, tem 4 anos que eu ‘tô’
fazendo rap, mas como que na verdade eu contribuí pra música?Eu só estou aqui,
rimando nos eventos quando me chamam, é uma coisa muito fácil você ficar
esperando o evento acontecer.” Aí
começou o lado da produção.
E quais as dificuldades que você encontrou especificamente em Juiz de
Fora na organização desses eventos?
Eu comecei, como já disse, a
organizar eventos no fim do ano passado. Comecei fazendo festas comerciais, mas
da cultura hip hop. A idéia das festas era a seguinte: através de uma balada,
uma noitada, as pessoas conhecerem o hip hop e se identificarem, e quem sabe
talvez até virar um MC, ou um dançarino de street, ou mesmo virar parte de um público
ouvinte. Eu acredito que muitas pessoas que se identificariam com o hip hop não
se identificaram ainda porque não conheceram. As dificuldades foram grandes:
primeiro, a falta de apoio, porque as pessoas quando falam em hip hop pensam
nele apenas como uma ferramenta socioeducativa, não pensam nele como um ritmo
musical. E muitas vezes já falam “’pô’, faz esse evento aí pra mim, na
camaradagem”, nunca dão um apoio, as vezes é difícil de a gente conseguir esse
apoio pra gente mesmo, porque além de fazer o hip hop a gente quer viver do hip
hop. E viver do hip hop de caridade é impossível. Então, eu acredito que ainda
falta um apoio da sociedade, um reconhecimento do nosso ritmo como algo
profissional, uma ferramenta de cultura mesmo.
O que você achou da iniciativa do pessoal do DCE da UFJF e do Coletivo
Sem Paredes em abrir um espaço para o hip hop no I Festival de Cultura e Arte?
Primeiramente eu tinha achado
muito interessante a iniciativa de trazer shows de hip hop pro Festival, o Rael
da Rima e o BNegão como grandes representantes dessa cultura, já fiquei muito
feliz com isso. E até então eu não sabia que nós iríamos participar, fazendo
esse festival junto com o DCE e o Sem Paredes. Aí a gente recebeu esse convite
e a gente fez dois dias lindos, fizemos todos os elementos ali unidos, misturamos
com banda, e eu acho que é isso que falta na cidade, iniciativas pra mostrar
essa cultura pro povo, pra galera começar a entender, e eu sou a favor da gente
unir o hip hop com outras tribos, pode ser a tribo do reggae, do rock, não
importa, a gente quer é agregar isso tudo, que se inserir nesse meio também de
cultura. Achei muito interessante mesmo essa iniciativa da promoção do estilo,
eu acho que isso vai fazer o hip hop crescer muito. A gente ‘tá’ plantando uma
coisa aqui em Juiz de Fora que com certeza vamos colher os frutos daqui a
alguns anos, conquistando o pessoal, é assim, fazendo a gente chega lá.